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Deputados evangélicos protestam contra projeto que inclui história do Padre Cícero nas escolas

Durante discussão na Assembleia Legislativa, deputados da bancada evangélica argumentaram que Jesus Cristo é mais importante que Padre Cícero.

03/09/2021 | Madson Vagner

Um Projeto de Lei de autoria do deputado estadual, Bruno Pedrosa (PP), incluindo a história do Padre Cícero como matéria no ensino médio no Estado, gerou conflito entre deputados da região do Cariri e a bancada evangélica na Assembleia Legislativa, durante sessão nessa quarta-feira, 1º.

Os deputados da bancada evangélica argumentaram que Jesus Cristo é mais importante do que o religioso responsável pela criação do município de Juazeiro do Norte. A resposta aumentou os embates durante a sessão ordinária. A deputada Silvana Oliveira (PL) chegou a questionar como se daria o estudo da história do religioso do Cariri, afirmando que o assunto geraria conflitos, já que, Padre Cícero é uma figura polêmica do Estado.

“A depender da forma como será apresentado para esses alunos, a gente pode ter um bocado de escola depredada. É um assunto muito sensível. Eu voto contra, porque para mim o Padre Cícero não foi um santo”, disparou Dra. Silvana.

Também da bancada evangélica, Gelson Ferraz (MDB) afirmou não ter interesse em saber a história do religioso, lembrando que propostas semelhantes já foram derrotadas na Casa.

O deputado Apóstolo Luiz Henrique (PP) começou seu discurso reclamando da forma em que o projeto estava tramitando na Assembleia, não sendo uma Indicação, mas proposta de Lei, o que não caberia ao Parlamento neste tipo de tema. O deputado chegou a ameaçar aqueles que votassem favorável com divulgação de nome nas redes sociais.

O deputado Romeu Aldigueri (PDT) disse ficar preocupado quando um parlamentar ameaça ou chama o outro de ignorante. O pedetista disse ser contra o tipo de projeto apresentado, mas afirmou não se sentir confortável em votar contra Padre Cícero.

“A gente tem que parar com esse discurso de que eu sou o melhor e o outro o pior. Não aceito que ninguém grite enquanto estou falando. É desnecessário comparar Jesus a Padre Cícero, para não dizer piegas”, disse Romeu.

O Deputado Guilherme Landim (PDT) afirmou que qualquer tema é legítimo de se debater na Casa lembrando, inclusive, que Luiz Henrique “passa toda sessão discutindo costumes e religião”.

“Não aceito proferir palavras de ignorante ou qualquer tipo de coisa. Não tenho medo de redes sociais, tapa na mesa ou qualquer outra coisa. E se eu tivesse medo não teria colocado meu nome desde os 22 anos de idade para a política”, disse Guilherme.

Diante da polêmica e da discussão exacerbada, o presidente da sessão, deputado Fernando Santana (PT), retirou a proposta de discussão e afirmou que ela será colocada na pauta de votação em um momento posterior.

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