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Queda de braço entre Moro e Bolsonaro motiva investigação; PGR quer apurar denúncias

Sérgio Moro acusou Bolsonaro de tentar intervir politicamente na Polícia Federal. Bolsonaro disse que Moro tentou negociar sua indicação para o STF.

25/04/2020 | Madson Vagner

A queda do diretor-geral da Policia Federal, Mauricio Valeixo, desencadeou uma série acusações entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, que se demitiu em pronunciamento nessa a segunda-feira, 24. Entre outros crimes, Moro acusou Bolsonaro de tentar intervir politicamente na Polícia Federal, enquanto Bolsonaro disse que o ex-ministro tentou negociar sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Pela manhã, Moro disse que a partir do segundo semestre começou a sofrer pressão do presidente para a troca do comando da Polícia Federal e a superintendência no Rio. “Sinceramente não havia nenhum motivo para essa mudança,” disse Moro. Bolsonaro estaria cobrando relatórios mensais sobre as atividades da PF e agilidade em investigações de seu interesse pessoal.

A tarde, Bolsonaro respondeu que queria apenas ficar informado do que acontecia para ajudar nas decisões do comando do país. “Falava-se de interferência minha na PF. Oras bolas, se posso trocar ministro, não posso trocar diretor-geral da PF? Não tenho que pedir autorização de ninguém para trocar qualquer outro da pirâmide hierárquica do Executivo,” disse Bolsonaro.

No momento mais tenso do pronunciamento de Bolsonaro, ele afirmou que Moro usou o caso para tentar negociar sua indicação ao SFT em novembro. “Mais de uma vez, o senhor Sergio Moro disse para mim: Você pode trocar o Valeixo sim, mas em novembro,depois que o senhor me indicar para o STF,” disse. Segundo o presidente, teria respondido que “não é por aí”.

Em declaração em uma rede social, Morro respondeu a Bolsonaro dizendo que “a permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF”.

A noite, Moro enviou ao Jornal Nacional, da rede Globo, uma série de mensagens que trocou com o presidente Bolsonaro e com a deputada Carla Zambelli (PSL).

A reportagem do Jornal Nacional mostrou que o presidente enviou a Moro o link de uma reportagem do site “O Antagonista”, apontando que a PF está “na cola” de 10 a 12 deputados bolsonaristas. Na mensagem, o presidente escreveu: “Mais um motivo para a troca”, se referindo à mudança na direção da Polícia Federal.

Moro usou as mensagens com a deputada Carla Zambelli, para rebater acusações sobre sua indicação ao SFT. Carla Zambelli diz: “Por favor, ministro, aceite o Ramage”, numa referência à Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), indicação de Bolsonaro.

Na conversa, a deputada justifica que aceitando, Moro iria para o STF em setembro. “E vá em setembro pro STF”, argumenta a deputada. “Eu me comprometo a ajudar. A fazer JB prometer”, completou. Sergio Moro, então, rechaça a proposta: “Prezada, não estou à venda”.

Diante da repercussão das denúncias e comprovações, ainda na sexta-feira, o procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar as acusações feitas por Sergio Moro contra Bolsonaro.

O pedido entregue ao STF aponta a eventual ocorrência dos crimes de “falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada, denúncia caluniosa e crime contra a honra”.

No pedido, a PGR sugere que, antes de deliberar sobre a abertura do inquérito, o STF recolha o depoimento de Moro sobre os possíveis crimes cometidos pelo presidente Bolsonaro, além da apresentação de provas.

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