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Wesley Batista e os favelados do Rio

Nada mais original que o empresário Wesley Batista, dono da JBS, ser solto no mesmo dia em que o exército recebeu sinal verde para invadir as favelas do Rio de Janeiro, sob a força de um “mandato coletivo de busca e apreensão”. No caso de Wesley, a liberdade, assistida por uma tornozeleira eletrônica, foi patrocinada […]

22/02/2018 | Madson Vagner

Nada mais original que o empresário Wesley Batista, dono da JBS, ser solto no mesmo dia em que o exército recebeu sinal verde para invadir as favelas do Rio de Janeiro, sob a força de um “mandato coletivo de busca e apreensão”. No caso de Wesley, a liberdade, assistida por uma tornozeleira eletrônica, foi patrocinada pelo Superior Tribunal de Justiça, o STJ; mas, o mandato coletivo foi assinado pelo Ministério da Justiça, que tem o objetivo de proteger e respeitar o cidadão. O General Walter Braga Netto, interventor no Rio, pediu “sacrifício e colaboração”.

Talvez tenhamos entendido diferente. Talvez a notícia seja que o exército está investigando para saber onde estão os chefes do tráfico e do crime organizado para, então, prendê-los e proteger de fato o cidadão. O mesmo cidadão que, na verdade, terá sua casa invadida, seus pertences revirados e, se brincar, será preso por ter se negado a abrir o guarda roupa, onde repousam suas roupas velhas. A palavra é vergonha; vergonha do cidadão, obrigado a expor sua triste vida, vergonha da justiça em soltar mais um corrupto.

Que bom que tivéssemos mais consciências como a do promotor Deltan Dallagnol, integrante da equipe da operação “Lava Jato”. Em seu Twetter, ele disse: “Se cabem buscas e apreensões gerais nas favelas do Rio, cabem também nos gabinetes do Congresso. Aliás, as evidências existentes colocam suspeitas muito maiores sobre o Congresso, proporcionalmente, do que sobre moradores das favelas, estes inocentes na sua grande maioria”. É o Brasil, povo acuado e bandido solto!

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